Disfunções Sexuais

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Embora o progresso científico tenha sido expressivo em vários campos das relações humanas nos últimos anos, a cultura de mitos, tabus e preconceitos sobre questões sexuais ainda estão profundamente enraizados em nossa sociedade. Ao mesmo tempo, os interesses pela patologização e medicalização das disfunções sexuais fazem com que a terapia sexual seja ainda pouco difundida e vista com reservas por profissionais e até mesmo por aqueles que não conseguem desfrutar de experiências sexuais plenamente saudáveis.

Não pretendemos de forma alguma discorrer sobre ou vilipendiar o uso da medicação. Esse não é definitivamente o nosso objetivo. Claro, tanto homens quanto mulheres com disfunção sexual devem descartar as causas biológicas. Porém igualmente sabemos hoje que os produtos farmacêuticos por si só não curam a maioria dos distúrbios sexuais. Devemos levar em conta a estrutura biopsicossocial do ser humano e isso significa reconhecer a relevância dos aspectos biológicos, porém considerar igualmente importantes, os aspectos psicológicos e sociais como fatores que influenciam a saúde sexual.

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Instituto ISA

Desenvolvimento da sexualidade dentro do contexto biopsicossocial

Entendendo as disfunções sexuais

Disfunção sexual (ou mau funcionamento sexual) é uma dificuldade que uma pessoa sente em responder sexualmente ou experimentar prazer sexual, em qualquer etapa de uma atividade sexual, incluindo prazer físico, desejo, preferência, excitação ou orgasmo. 

As disfunções e inadequações sexuais não só comprometem a qualidade da saúde sexual por levar ao sofrimento pessoal, como também afetam significativamente o relacionamento e a intimidade do casal. Este é um caminho de mão dupla uma vez que relacionamentos conflituosos também contribuem para o desencadeamento de disfunções e inadequações sexuais e, portanto, devem igualmente serem consideradas no planejamento terapêutico com o casal.

​Assim, casos que, embora não se configurem disfunção sexual, devem ser tratados no âmbito da terapia sexual por serem desencadeadores desses processos disfuncionais. Esses casos incluem estimulação sexual inadequada em função da falta de conhecimento sobre os aspectos da sexualidade cujos reflexos inibem o desenvolvimento saudável das fases do desejo, excitação e orgasmo, que constituem o ciclo de resposta sexual humana, proposto por William H. Masters e Virginia E. Johnson, e depois modificado por Helen Singer Kaplan.

​Além disso também entram na avaliação dos quadros disfuncionais aspectos relacionados à preocupação, a ansiedade e crenças limitantes. Além desses, o estresse e sentimentos de culpa são fatores determinantes e/ou agravantes do quadro disfuncional. Também devem ser considerados no diagnóstico da disfunção sexual fatores culturais que possam influenciar expectativas ou criar proibições sobre a experiência do prazer sexual.

quais são os tipos de disfunção sexual

As disfunções sexuais geralmente são classificadas em quatro categorias:

  ♦  Bloqueio do desejo                        falta de desejo sexual ou interesse pelo sexo

  ♦  Bloqueio da excitação                   incapacidade de se tornar excitado fisicamente ou animado durante a atividade sexual

  ♦  Perturbações do orgasmo             atraso ou ausência de orgasmo (clímax)

  ♦  Distúrbios da dor                           dor durante a relação sexual

quais são os sintomas das disfunções sexuais

Nos homens:

      ♦ Incapacidade de alcançar ou manter uma ereção adequada para relações sexuais (disfunção erétil)

      ♦ Ausência ou ejaculação retardada apesar da estimulação sexual adequada 

      ♦ Incapacidade de controlar o momento da ejaculação (ejaculação prematura ou precoce)

Nas mulheres:

      ♦ Incapacidade de atingir o orgasmo

      ♦ Lubrificação vaginal inadequada antes e durante a relação sexual

      ♦ Incapacidade de relaxar os músculos vaginais o suficiente para permitir a relação sexual (Vaginismo)

Em homens e mulheres:

      ♦ Falta de interesse ou desejo de sexo

      ♦ Incapacidade de despertar-se

      ♦ Dor na relação sexual

visão geral das disfunções sexuais

 

Transtorno do Desejo Sexual Masculino Hipoativo e 

Transtorno do Interesse/Excitação Sexual Feminino

O transtorno do desejo sexual hipoativo, agora conhecido como transtorno do interesse / excitação sexual feminina e transtorno do desejo sexual masculino hipoativo, é uma condição que produz um desejo sexual cronicamente baixo. Afeta a qualidade de vida em homens e mulheres e compromete a saúde de seus relacionamentos.

Apesar da diferenciação na classificação do Desejo Sexual Hipoativo -DSH (masculino e feminino), em ambos os casos deve-se levar em consideração os contextos interpessoais uma vez que o desejo da atividade sexual de um homem quando mais baixo do que o de sua parceira, não é suficiente para ser caracterizado como transtorno do desejo sexual masculino hipoativo. Da mesma forma que na eventualidade da mulher sentir menos desejo para a atividade sexual, também não é suficiente para o diagnóstico de transtorno do interesse/excitação sexual feminino.

​Em geral a falta de desejo sexual é resultante de uma série de fatores que se interligam e só excepcionalmente se pode atribuir a uma só causa. Em vista disso é necessário verificar se há possíveis causas subjacentes relacionadas ao baixo desejo sexual. A inadequação sexual daí resultante, além de criar um ambiente sexualmente destrutivo, muitas vezes se generaliza para a área da comunicação do casal, pondo em risco a integridade do casamento.

​Apesar da possível existência de fatores orgânicos, os aspectos psicossociológicos são os de maior predominância nos processos disfuncionais da apetência sexual por estarem fortemente introjetados na história sexual da pessoa.

Dessa forma temos que uma educação sexualmente castradora, crenças religiosas rígidas, normas de conduta inibidoras da sexualidade, vivências sexuais destrutivas, insultos, longo processo de habituação (frequente em relacionamentos de longa data), falta de assertividade no relacionamento e violências sexuais, geralmente estão presentes nos casos de baixo desejo sexual.

Do mesmo modo devemos avaliar se o bloqueio do desejo está associado, direta ou indiretamente a conflitos no relacionamento.  A satisfação sexual está para os relacionamentos da mesma forma em que a satisfação no relacionamento está para a qualidade da vida sexual de um casal. Muitas vezes, a insatisfação no relacionamento faz com que os parceiros usem o sexo, conscientemente ou não, como arma para ferir o outro, outras vezes, o desgaste conjugal é reflexo das frustrações e dos desencontros sexuais.

Em última análise, se o baixo desejo sexual está causando uma tensão significativa no relacionamento ou minando a confiança de um ou de ambos os parceiros, é necessário agir. Não hesite em buscar orientação com um especialista.

Disfunção erétil 

 

A disfunção erétil ou transtorno erétil é uma condição em que obter e manter uma ereção firme o suficiente para a relação sexual é um desafio persistente. Através desse entendimento, devemos considerar que fracassos ocasionais não devem ser considerados disfunções eréteis, a menos que o homem não saiba lidar com a situação do fracasso momentâneo. Isso ocorre quando, preocupado com a falha, ele cria uma condição emocional de expectativa de um novo insucesso, gerando uma ansiedade sexual.

No caso da disfunção erétil, a ansiedade sexual cria forte expectativa, considerando o ato sexual seguinte como um teste de sua virilidade. Essa situação altamente ansiogênica pode inibir facilmente o reflexo erétil. É precisamente o medo de não ter ereção que fará com que ela não aconteça. Dessa forma a pessoa ingressa num processo disfuncional com falhas permanentes. Por sinal esse é o mecanismo mais comum das disfunções eréteis em que apenas os determinantes psicológicos estão presentes.

A ansiedade sexual (ansiedade de desempenho sexual ou ansiedade por temor de desempenho), pode também se originar de experiências negativas do passado, disfunções sexuais, estresse ou uma variedade de outros fatores. Existem muitas outras razões e elas podem estar relacionadas a fatores que a pessoa ainda não entenda sobre si mesma. Vejamos alguns desses motivos:

Problemas com a imagem corporal: se alguém tem vergonha de certos aspectos do corpo, pode ser difícil se sentir confiante com os parceiros sexuais, especialmente os parceiros sexuais mais novos.

Disfunções sexuais para qualquer um dos parceiros: embora possa ser difícil para parceiros com disfunções sexuais (como disfunção erétil ou baixo desejo), também pode ser difícil para o parceiro que está preocupado com as disfunções da outra pessoa.

Abuso ou violência sexual anterior: Pessoas que sofreram ou mesmo tiveram acesso a casos de abuso ou violência sexual (assuntos fortemente veiculados nos meios de comunicação e internet) muitas vezes têm dificuldade em pensar sobre sexo de maneira saudável, e pode demorar um pouco para recuperar sua própria imagem de como o sexo deveria ser para elas.

Problemas de relacionamento: Isso inclui brigas, discussões, falta de assertividade nos gestos, atitudes e palavras ou apenas a incapacidade geral de se estabelecer uma comunicação aberta e honesta com seu par.

Medo da intimidade: pode ser difícil para as pessoas com medo da intimidade confiar nos outros, o que é um grande componente das boas experiências sexuais.

Compatibilidade do parceiro:  Se alguém não se sente confortável ou não se sente atraído por seu par, isso pode prejudicar enormemente seu desejo de fazer sexo e aumentar sua ansiedade só de pensar nisso.

Mesmo se uma causa não relacionada à aspectos fisiológicos ou psicológicos for encontrada, pode ser libertador falar sobre como a disfunção erétil está afetando vidas e relacionamentos e começar a examinar histórias pessoais, crenças e experiências acumuladas ao longo da vida, sexo e sexualidade. Seja qual for as causas ou motivos, o apoio da terapia sexual é fundamental para conquistar saúde sexual e bem-estar.

Ausência de lubrificação

 

Na mulher, a lubrificação vaginal deficiente decorrente de uma excitação insuficiente pode ser consequência tanto de fatores orgânicos quanto psicológicos. O fato é que a lubrificação insuficiente termina por gerar um distúrbio psicofísico que se autoalimenta.

Suas causas orgânicas mais frequentes estão geralmente associadas a climatério e Menopausa, deficiência hormonal, infecções vaginais, gravidez, aleitamento materno, álcool e tabagismo ou uso de medicamentos (antidepressivos, anti-hipertensivos, vasoconstritores, anti-histamínicos, anticoncepcionais).

Já as causas psicológicas geralmente encontram forte relação com o estresse, medo de sentir dor na penetração, medo de gravidez indesejada, medo de contrair doenças sexualmente transmissíveis, desarmonia entre o casal ou estimulação sexual inadequada ou mesmo em consequência de outra disfunção sexual como é o caso do DSH - desejo sexual hipoativo.

Anorgasmia - Transtorno do orgasmo
 

Transtorno do orgasmo, anorgasmia ou disfunção orgástica se caracteriza pela presença de retardo acentuado, infrequência acentuada ou ausência de orgasmo, bem como pela intensidade muito reduzida de sensações orgásticas mesmo após uma fase de excitação sexual adequada em termos de foco, intensidade e duração. Nas mulheres, a anorgasmia é a disfunção sexual mais comum junto com a falta de desejo (DSH).

Na anorgasmia estão presentes uma grande variedade de fatores inibitórios dentre os quais pode-se assinalar o sentimento de culpa em relação a atividade sexual, traumas relacionados ao sexo, abuso sexual, relações dolorosas, desinformação e informações distorcidas sobre sexo e sexualidade, crenças irracionais (interpretações ilógicas da realidade que colaboram para o desenvolvimento de perturbações emocionais) relacionadas a tabus e preconceitos religiosos, normas sociais rígidas, desejo sexual hipoativo e problemas no relacionamento.

Como no homem o orgasmo geralmente coincide com a ejaculação, junto com o transtorno do orgasmo apresenta-se também as disfunções ejaculatórias, compreendendo que estas disfunções são diferentes dos distúrbios do orgasmo. Pode existir orgasmo sem ejaculação e ejaculação sem orgasmo. Apesar de usualmente, a ejaculação se acompanhe da sensação de prazer, pode haver uma completa dissociação entre os dois fenômenos. Eles possuem etiologias distintas e mecanismos determinantes diferentes.

Os distúrbios ejaculatórios associados à disfunção da orgasmia são a ejaculação prematura ou precoce e a ejaculação bloqueada.

Ejaculação prematura (precoce)
 

A ejaculação precoce (prematura) é uma das formas mais comuns de disfunções sexuais no homem. É quando ele involuntariamente tem orgasmo e ejacula antes do momento desejado. A ejaculação precoce pode ocorrer durante as preliminares, relações sexuais ou outras formas de atividade sexual.

Num estágio mais elevado, a ejaculação pode ocorrer mesmo antes da penetração, o que leva alguns homens achar que seu pênis é extremamente sensível. No entanto é importante considerar que episódios ocasionais de ejaculação precoce são comuns e não são motivo de preocupação.

A ejaculação precoce é uma disfunção sexual que envolve uma complexa interação de fatores tanto fisiológicos como psicológicos. Entretanto e na maioria dos casos, os problemas de ordem psicológica e emocional são os de maior predominância.

Causas Fisiológicas: Dentre as causas fisiológicas destacam-se a inflamação ou infecção na próstata ou uretra, problemas de tireoide, assim como níveis anormais de certos hormônios podem contribuir para a ejaculação precoce.

A ejaculação precoce também pode ocorrer em associação com outras disfunções sexuais (por ex., disfunção erétil ou desejo sexual hipoativo), em que o homem tem dificuldade em manter a ereção, ele pode apressar a relação sexual para completá-la antes de perder a ereção.

Causas Psicológicas: Estresse, ansiedade, culpa, problemas ou insatisfação no relacionamento, falta de confiança ou imagem corporal deficiente, preocupação com o desempenho sexual são fatores emocionais importantes a serem considerados.

 
Ejaculação retardada

Na ejaculação retardada ou incompetência ejaculatória, o ato ejaculatório é retardado ou inibido. O homem relata dificuldade ou incapacidade para ejacular, a despeito da presença de estimulação sexual adequada e do desejo de ejacular.

Ela é o oposto da ejaculação precoce. Enquanto na ejaculação precoce o homem não discrimina nem controla as condições que prenunciam a ejaculação, na ejaculação retardada reina o estado de hipercontrole, de modo a promover um bloqueio seletivo da ejaculação.

A ejaculação retardada ocorre quando um homem precisa de um tempo longo de estimulação sexual para atingir o orgasmo e ejacular ou se vê incapaz de ejacular durante a penetração.  Alguns homens conseguem ejacular com estimulação manual (prática masturbatória) ou sexo oral. Outros porém, não conseguem ejacular de forma alguma.

Em vista disso, devemos ter sempre em mente que um problema de ejaculação retardada ao longo da vida é muito diferente de um problema que se desenvolve mais tarde na vida. Alguns homens têm um problema generalizado em que a ejaculação retardada ocorre em todas as situações sexuais.

Para outros homens, só ocorre com certas parceiras ou em certas circunstâncias. Isso é conhecido como "ejaculação retardada situacional". Em casos raros, a ejaculação retardada pode ser sinal de agravamento de problemas de saúde, como doença cardíaca ou diabetes.

Existem várias causas potenciais de ejaculação retardada, incluindo preocupações psicológicas, condições crônicas de saúde e reações a medicamentos.

Causas fisiológicas: Certos produtos químicos podem afetar os nervos envolvidos na ejaculação. Isso pode afetar a ejaculação com e sem parceira. Entre os medicamentos que podem causar ejaculação retardada, podemos destacas os antidepressivos, antipsicóticos, medicamentos para hipertensão, diuréticos, entre outros.

Outros fatores podem estar relacionados a cirurgias ou traumas pós-cirúrgicos, iatrogenia, acidentes, baixas hormonais, AVC, doença cardíaca, problemas de próstata, consumo de álcool e drogas.

Causas psicológicas: Apesar de existirem causas orgânicas, as causas psicológicas são consideradas como principais determinantes. Podem ocorrer devido a uma experiência traumática.  Assim, uma educação familiar sexualmente punitiva, geralmente associada a crenças religiosas podem dar ao sexo uma conotação negativa. 

Estresse no relacionamento, comunicação deficiente e raiva podem ocasionar essa disfunção. Decepção nas realidades sexuais com seu par em comparação com fantasias sexuais também pode resultar em ejaculação retardada. Frequentemente, os homens com esse problema podem ejacular durante a masturbação, mas não durante a estimulação com seu par.

Outras causas: O medo exagerado de engravidar a parceira, homossexualidade, hostilidade e rejeição da parceira, principalmente após trauma psicossociais - traição conjugal seria uma das causas – podem ser fatores desencadeadores da ejaculação retardada. Da mesma forma, a ansiedade e a depressão podem suprimir o desejo sexual, o que também pode resultar em ejaculação retardada.

Estresse no relacionamento, comunicação deficiente, sentimentos de raiva, decepção nas realidades sexuais com seu par em comparação com fantasias sexuais também pode resultar em ejaculação retardada. Frequentemente, os homens com esse problema podem ejacular durante a masturbação, mas não durante a estimulação com seu par.

Um problema de ejaculação temporário pode causar ansiedade e depressão. Isso pode levar à recorrência, mesmo quando a causa física subjacente foi resolvida.

Estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico. 

 
Transtorno da dor gênito-pélvica / penetração (Vaginismo e Dispareunia)

O vaginismo consiste na contração involuntária parcial ou total da musculatura vaginal, subjetivamente marcada pela dor ou desconforto, impossibilitando a relação sexual com penetração ou mesmo a realização de um exame ginecológico. O medo é a causa imediata do vaginismo. É ele que condiciona os músculos a uma reação de contratura. No vaginismo grave, além do espasmo da musculatura, a mulher, diante da simples aproximação do parceiro ou diante de um exame ginecológico, contrai os músculos adutores da coxa, a ponto de os joelhos ficarem colados um contra o outro.

Algum processo orgânico pélvico associado à dispareunia pode ser a causa física detonadora do vaginismo. Entretanto os fatores psicossociológicos são os de maior influência no vaginismo, sendo comum sua prevalência como resultado de educação restritiva ou punitiva, em que o controle sobre os aspectos sexuais tenha sido tão intenso a ponto de desenvolver verdadeira repulsa pela atividade sexual. Também são encontradas causas relacionadas a vivências sexuais desastrosas, experiências de situações traumáticas, tentativas de estupro, visualização de cenas de sadismo assim como relatos distorcidos da vida sexual. Também devem ser considerados aspectos relacionados ao medo de gravidez, fobia de câncer, exames ginecológicos traumáticos e partos difíceis.

Com a relação sexual tornando-se uma situação aversiva, a mulher pode ter adquirido o hábito de esquiva que persistiu após a cura integral do processo orgânico (associado à dispareunia). Quando ela se vê numa situação da qual não seja capaz de se esquivar, o medo da dor pode se apresentar de forma tão intensa que se exterioriza fisicamente como violenta contratura, acompanhada de fenômeno doloroso adicional que retroalimenta a cadeia que leva ao reflexo contrátil.

Sendo o vaginismo um distúrbio psicossomático típico, ele deve ser enfocado, sempre, sob o duplo ângulo: fisiológico e psicológico, o atendimento do par como unidade terapêutica é importante sob pena de recidivas que, na maioria das vezes, são muito mais desastrosas e prejudiciais que a situação original.

Fonte de consulta:

- Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 - American Psychiatric Association

- Tratamento Clinico das Inadequações Sexuais - Cavalcanti & Cavalcanti

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