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Saúde Sexual

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o que devemos entender por saúde sexual?

A saúde sexual é hoje amplamente entendida como um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social em relação à sexualidade. Abrange não apenas disfunções sexuais, questões relacionadas a abusos e violências sexuais ou aspectos unicamente relacionados à saúde reprodutiva.

Além desses fatores, a saúde sexual pressupõe a possibilidade de vivenciar relações sexuais prazerosas e seguras, livres de coerção, discriminação e violência, que possam contribuir para o bem-estar e saúde física e mental das pessoas. Requer, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, uma abordagem positiva e respeitosa da sexualidade, sem a qual não pode ser definida, compreendida ou operacionalizada.

​A sexualidade, por sua vez, é inerente à própria vida e se expressa na forma de energia motivadora através da qual se torna possível ao ser humano vivenciar o amor, o contato e a intimidade. Esses três elementos, consubstanciados sob a forma de sexualidade, representam os pilares das relações interpessoais engajadas e comprometidas.

Vamos analisar cada um desses elementos:

primeiro elemento - amor

O amor é o pilar central de toda relação. É a força de atração responsável pela união das pessoas e o elemento fundamental na criação dos núcleos sociais dentro dos ciclos da vida. Ao expandir nossa energia motivadora para além de nosso corpo, entramos em sintonia com a mais nobre das energias, que é a energia do amor.

Único na essência porém variado em sua acepção, amor é uma das palavras que provavelmente possui as mais variadas definições, talvez por serem nossas experiências com ele tão intensas. Dentre as abordagens existentes e a título de maior elucidação, vamos considerar as três que mais coadunam com o sentido que lhe é atribuído na conceituação da sexualidade humana, e aqui considerado como pilar central dos relacionamentos interpessoais harmoniosos.

amor incondicional

É o espírito de solidariedade e compaixão, inerentes ao ser humano, que temos pela vida, pessoas, animais e natureza. Nas escrituras bíblicas temos a expressão máxima do amor incondicional em “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este”. (Lucas 10:27)

amor fraterno

É o amor virtuoso e desapaixonado que inclui a lealdade aos amigos e à família e à comunidade, e requer a virtude e a igualdade.

amor romântico

É o amor apaixonado que une os casais em uma relação afetiva. Para uns é o amor “Eros”, que estabelece a atração física. Segundo Freud é a “energia que impulsiona a vida”.

segundo elemento - contato

O contato diz respeito à nossa condição eminentemente social. Somos seres sociais que prosperam em relacionamentos pessoais quando em contato com outras pessoas. O ambiente ao qual convivemos e o grupo ao qual pertencemos exerce forte influência na forma como sentimos, pensamos e nos comportamos. Esses grupos sociais nos fornecem uma parte importante da nossa identidade e, mais do que isso, nos possibilita desenvolver um conjunto de habilidades que podem nos ajudar a viver de forma mais plena.

A sensação de pertencimento e sentir-se socialmente conectado, especialmente em um mundo cada vez mais virtual, é mais importante do que nunca. A conexão social diz respeito à experiência subjetiva de nos sentir compreendido e conectado a outras pessoas. Isso contribui para nossa qualidade de vida e melhora nossa saúde física.

No aspecto da saúde mental, o contato social contribui para maior sentimento de pertencimento, propósito, maiores níveis de bem-estar e níveis reduzidos de estresse. Formar relacionamentos fortes e saudáveis ​​com outras pessoas significa se abrir, ouvir ativamente e compartilhar ideias, pensamentos e sentimentos.

terceiro elemento - intimidade

Embora possa conotar a ideia de sexo ou amor romântico, a intimidade, dentro do contexto da sexualidade, se apresenta em sua acepção ampla ao se referir à relação estreita no convívio próximo entre pessoas, não se restringindo ao contexto sexual, que é uma de suas formas. Intimidade e sexo estão relacionados, mas não são a mesma coisa. É possível ter um sem o outro.

A abordagem sobre a intimidade é extensa e existem estudos e classificações para vários tipos de intimidade. Sob a ótica da Terapia Sexual Positiva, por exemplo, a intimidade deve ser essencialmente entendida pelo sentimento de proximidade, afetividade e conexão que deve existir no relacionamento. Assim, dentro do nosso contexto nos restringiremos a quatro tipos de intimidade. Vamos analisar cada uma delas:

intimidade física

Essa é a forma de intimidade que a maioria das pessoas imagina ao ouvir a palavra. Envolve toques, abraços, mãos dadas, beijos e pode envolver ou não sexo ou relação amorosa. Duas amigas podem se abraçar, beijar, andar de mãos dadas na rua e serem apenas boas amigas que nutrem amor fraterno entre si. Por outro lado, a intimidade física é crucial para os relacionamentos românticos saudáveis ​​e duradouros. Devemos ser capazes de nos tocar para experimentar a intimidade física.

intimidade emocional

Enquanto a intimidade física é demonstrada pelo toque físico, a intimidade emocional é demonstrada por meio de gestos, atitudes e palavras. Isso nem sempre é fácil, pois requer vulnerabilidade. Envolve a percepção de proximidade com outra pessoa que permite o compartilhamento de pensamentos e sentimentos com expectativa de compreensão e apoio. A intimidade emocional depende da confiança e envolve compartilhar nosso eu mais profundo com outra pessoa.

intimidade sexual

Aqui estamos falando essencialmente de sexo. É quando as pessoas se envolvem em atividades sensuais ou sexuais. Quando as pessoas usam a palavra “intimidade”, geralmente estão se referindo a esse tipo. Muitas pessoas tendem a considerar intimidade sexual como sendo sinônimo de intimidade amorosa. Nessa generalização, é comum encontrarmos relacionamentos em grave processo de desarmonia tendo por base esse entendimento equivocado.

intimidade amorosa

Em um relacionamento romântico, o casal tem a oportunidade de vivenciar a sexualidade em sua amplitude ao congregar as energias do amor e da intimidade, envolvidos numa conexão positiva. A intimidade amorosa se constrói ao longo do tempo e, como energia (emissora e receptora), natural do ser humano, não se restringe aos órgãos sexuais. “Não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não de orgasmo”.

A intimidade amorosa dentro de um relacionamento conjugal pressupõe a conexão harmônica dos três pilares, associados a uma conduta assertiva nos gestos, atitudes, palavras e pensamentos, que possibilite a ambos expressarem livremente seus pensamentos, sentimentos, ideias, desejos e fantasias.

Porém, presos às concepções equivocadas, mitos, tabus ou preconceitos em relação ao sexo e como forma de suavizar o impacto que a palavra “sexo” representa, ainda na atualidade, muitos casais dizem “fazer amor” ao se referir ao ato sexual. Seria como se intimidade amorosa e intimidade sexual fossem a mesma coisa. O sexo pode ser uma expressão da força do amor, entretanto amor não é sexo. O impacto desse eufemismo nos relacionamentos pode ser devastador.

Na presença de uma disfunção ou inadequação sexual, por exemplo, além da comum inapetência, a pessoa pode apresentar esquivas em relação às manifestações sexuais do par e isso poderá configurar para o cônjuge clara demonstração de “falta de amor”. A partir deste ponto, sentimentos de insegurança, culpa, desconfiança e manifestações de ciúme e outros vícios emocionais costumam deteriorar o relacionamento e a saúde sexual do casal.

Como vimos, não é fácil definir saúde sexual. A saúde sexual envolve a capacidade de vivenciar plenamente a sexualidade ao longo de nossas vidas. É uma parte importante da nossa saúde física e mental. Ser sexualmente saudável significa compreender que a sexualidade é uma parte natural da vida que envolve mais do que sexo ou comportamento sexual.

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